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Como um deficiente visual usa as redes sociais?

 

Oi, gente!

Hoje é um dia muito especial, pois, hoje é 21 de setembro – dia nacional da luta das pessoas com deficiência e para marca presença neste dia tão importante vou conversar com vocês sobre um tema muito importante e pouco falado a hasteg “pracegover” criada pela baiana Patrícia Braille.

Patrícia Silva de Jesus – Patrícia Braille

Consultora da UNESCO no Projeto Livro Acessível/Mecdaisy (2009 a 2013); Especialista em Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (UNEB), com atuação constante na área de Tecnologias Assistivas e Livro Acessível. Coordenadora da Educação Inclusiva no Estado da Bahia.

 

Porém, em vez de eu contar para vocês sobre esse recurso utilizado nas redes sociais para que as pessoas cegas e com baixa visão possam saber o que são as imagens postadas vou deixar que a própria Patrícia explique para vocês através do texto que vem a seguir:

  1. O que é #PraCegoVer?

É o primeiro projeto de disseminação da cultura da acessibilidade nas redes sociais, e tem por princípio a Audiodescrição de imagens para apreciação das pessoas com deficiência visual. Foi idealizado pela professora baiana Patrícia Braille.

 

  1. O que é Audiodescrição?

É uma tradução que consiste em transformar imagens em palavras, obedecendo a critérios de acessibilidade, respeitando as características do público a que se destina. É produzida, em primeiro lugar, para cegos, mas tem beneficiado igualmente pessoas com dislexia, deficiência intelectual ou déficit de atenção, por exemplo.

 

  1. Como os cegos conseguem ler as descrições de imagem no computador?
    Atualmente, milhares de pessoas cegas usam o Facebook e outras redes sociais com auxílio de programas leitores de tela, capazes de transformar em voz o conteúdo dos sites. Contudo, esses leitores só leem caracteres e não pixels. Assim, as imagens necessitam ser descritas, para que os leitores consigam transmiti-las às pessoas com deficiência visual.

 

  1. Por que “#PraCegoVer”?

No Brasil existem cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 585 mil totalmente cegas. Essas pessoas comem, vestem, passeiam, usam o Facebook, assistem a programas de TV, consomem, vão ao dentista, ao pediatra, ao geriatra, mas, pasme, são ignoradas por escolas, instituições, empresas, como se estivessem revestidas por um manto de invisibilidade.


#PraCegoVer carrega em si o princípio de que a cegueira às vezes está nos olhos de quem enxerga. Ele existe para o cego que não enxerga a imagem e para o vidente que não enxerga o cego. É uma provocação, um chamamento para as pessoas se enxergarem mais, saírem de suas zonas de conforto e perceberem que podem fazer acessibilidade, mesmo que seja uma breve descrição de uma imagem na internet.

  1. Como você descreve as imagens? Dá umas dicas para iniciante.

Consulte o item 5 do link:

http://palavrachaveonline.blogspot.com.br/2017/06/tire-todas-as-suas-duvidas-sobre-o.html

  1. Cite marcas que aderiram ao Projeto #PraCegoVer:

Atualmente são inúmeras, incluindo instituições públicas e privadas, multinacionais e governamentais. Alguns exemplos:

 

 

 

 

 

 

Três avisos importantes:

  1. Os cegos não se ofendem com a expressão #PraCegoVer. A palavra “cego” não é pejorativa. É a correta, a usual. Geralmente, quem acha estranho não convive com pessoas que têm deficiência visual. Os cegos se ofendem, de verdade, com a ausência de acessibilidade.
  2. #PraCegoVer é um trocadilho. Como esta hashtag tem uma função educativa e inclusiva, ela se refere aos videntes que não enxergam o cego e nunca se dão conta de que pessoas com deficiência visual usam redes sociais. Ela existe para impactar, para despertar o olhar de quem lê e se pergunta: “Ué, pra que raios esta descrição está aqui?”. Então vai pesquisar mais um pouco e… Zaz! Mais um vidente deixou de ser “cego”. #PraCegoVer existe, principalmente, para o cego ou pessoa com deficiência visual/baixa visão que, pela falta de acessibilidade, não podia apreciar as imagens publicadas.
  3. Não, a descrição não faz a pessoa cega literalmente enxergar. É, mais uma vez, um jogo de palavras, um empréstimo da palavra “ver” no sentido de “ter acesso” a algo. Ouvir uma descrição não substitui a visão. Nem mesmo o tato, como muitos acreditam, seria capaz de substituir o ato de enxergar, na exata medida em que os olhos o fazem.

 

Elaborei uma instrução sobre o projeto e um guia inicial de como fazer as descrições [http://bit.ly/2v1IJhr]. Dia a dia os resultados começaram a surgir e mais pessoas entravam em contato para saber mais acerca de como descrever corretamente.

 

 

A principal mensagem do projeto #PraCegoVer é: “Você pode fazer acessibilidade com os recursos que dispõe”. Todas as pessoas que enxergam podem descrever uma imagem para um cego, quando bem orientada.

 

Espero que vocês tenham gostado desse texto e que ele ajude vocês a refletirem e a adotarem a hasteg para que todas as pessoas possam ter acessibilidade.

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