Debate

Direito de ter direitos

Olá, pessoal. Desculpem-me pela demora em escrever.

Hoje falarei de um tema relacionado não só aos deficientes visuais, mas também a outras categorias de deficiência.

No dia onze de Agosto é comemorado o dia do advogado. Na verdade, dizem que é comemorado o dia do estudante de direito também. E é neste tema que vou debruçar hoje.

O assunto é comum tanto ao advogado quanto ao estudante, – o próprio direito. Direito que as pessoas com deficiência têm assegurado e que muitas vezes não é cumprido.

Não sabemos quantos advogados e estudantes possuem deficiência visual hoje no Brasil, mas acreditamos que, com a questão da inclusão, deve haver um bom grupo de pessoas que atuam na militância ou estão nos bancos da graduação. Infelizmente ainda não deve ser em número grande o suficiente para que sejamos mais ouvidos pela sociedade.

Primeiramente temos que pensar que não é fácil para o deficiente visual, tanto o cego, quanto o com baixa visão – e aqui trazemos um pouco da nossa experiência – fazer o curso de direito de uma forma “tranquila”. É difícil, quase impossível, conseguir livros em braile ou ampliados para que o estudante e o profissional possam estudar com independência. Ainda bem que hoje, com a tecnologia, os e-books estão ficando mais populares, ajudando aqueles que utilizam ledores de tela a ler sem ajuda. Porque, vamos combinar, certamente é um desconforto ficar pedindo a alguém, que muitas vezes não é da area, para ler textos para outra pessoa.

Além desta questão existe o fato que a sociedade de modo geral não está adaptada para estas pessoas. Muitas vezes as universidades (especialmente as públicas) não têm prédios, equipamentos e pessoal preparados para atender a pessoa com deficiência visual. Não existe material adaptado ao braile ou ampliado para que estas pessoas acompanhem o curso como os demais colegas. Muitas vezes também os professores não estão preparados para lidar com estes estudantes. Eles se esquecem de ampliar as provas – e isto aconteceu muito conosco – ou transforma-la em braile. Esquecem que os cegos não vem os sílfides ou esquecem de passa-los aos que tem baixa visão. E muitas vezes não tem a mínima sensibilidade para perguntar como podem ajudar ou se estes estudantes estão conseguindo acompanhar as aulas.

Depois de todo este processo, quando se formam ainda precisam encarar o exame de ordem, que por sua natureza já é uma prova difícil e que exige demais do candidato. E para quem tem alguma limitação se exige ainda mais, porque temos de superar ainda mais barreiras para nos preparar para o exame e, até mesmo, na hora de fazê-lo, já que dependemos de fiscal para ler a prova e para olhar a legislação (na segunda etapa do exame). Isto, apesar de ser um direito, acaba nos desgastando, porque acabamos nós sentindo meio incomodados. Sem contar que temos de confiar no fiscal, pois é ele quem passa as respostas para o gabarito e transcreve as respostas escritas das questões discursivas. Tudo isto gera ainda mais desgaste na hora da prova.

Quando finalmente vencemos esta etapa de OAB temos que lidar com o mercado de trabalho e os órgãos públicos, que não estão preparados para atender as necessidades das pessoas com deficiência (e aqui não só a visual, mas as outras também) tanto como advogado que vai cuidar de processos, quanto como servidor concursado que não tem equipamentos adequados para executar seu trabalho.

Mas acho que o pior é conviver com pessoas que ainda não compreenderam que uma pessoa com deficiência é igual a demais, apenas precisando de algumas mudanças de estrutura e equipamento. Que não veem que somos pessoas que pensam, tem sentimentos e que podem fazer quase tudo que os demais fazem.

Se conseguirmos mudar a mentalidade das pessoas para que tenham mais consciência e mais respeito, resolveremos metade dos problemas, porque as pessoas com deficiência já tem que superar muitas barreiras impostas por uma sociedade despreparada. Então, se ao menos eliminarmos a barreira da convivência entre pessoas com e sem deficiência, os demais problemas serão, certamente, muito mais fáceis de resolver.

Balança
Balança
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4 comentários em “Direito de ter direitos

  1. Falou e disse minha querida!
    Ainda temos mto que evoluir e now aprimorar para entendermos e tratarmos melhor uns aos outros. Mas um dia de casa vez a gente chega la! 🙂
    Mil bjs

  2. OLÁ, SOU MÃE DE UM MENINO Q APRESENTE DEFICIÊNCIA VISUAL ELE ESTÁ NO 7°ANO , SEI AS DIFICULDADE Q ENFRENTAMOS COM RELAÇÃO A ESCOLA, TODOS OS ANOS TENHO QUE IR ATÉ A PROMOTORIA, POIS SEI Q ELE É CAPAZ, ENTÃO JAMAIS DEIXAREI ELE SEM APRENDIZAGEM.
    É VERGONHOSO QUANDO MUITO SE FALA EM INCLUSÃO, COM TENTA FALTA DE CAPACITAÇÃO PARA OS PROFESSORES, FALTA ESTRUTURA FÍSICA, FALTA A ESCOLA ASSUMIR SEU ALUNO. QUANDO SENTIMOS NA PELE VEMOS O TAMANHO DA EXCLUSÃO.

  3. Passei por muitos problemas na minha fase escolar e maioria deles relacionados com a relação com os outros alunos. Mas tive também problemas com a escola. É como dizem pimenta nos olhos dos outros é refresco. Temos que conrinuar lutando sempre.

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